terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O surreal


O que será do existente entre as palavras

Soltas no tempo e no espaço, intercotado

Por outras, que ficaram escondidas?

O que será do irreal desconhecido,

Que se submete ao concreto das vidas

Que mais não são que realidades perdidas,

Nesse tempo e espaço contingentado?


Não existe sonho para além da realidade,

Nem realidade para além da fantasia!

Existe apenas um ...

Um nada perdido no vazio da (in)verdade

Um tudo alcançado num quimérico dia.


Se dia se conceptualiza,

Se real existe e se concebe,

Se tempo se operacionaliza,

Se o surreal não é tudo o que se bebe...

Na eterna vivência de meras passagens,

De recordações e sensações corporais

Únicas! E nunca duas vezes iguais...

Únicas! E nunca por dois vividas...


FG

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Tentativa de regresso

No silêncio da hora tardia,
Só a pura natureza se ouvia!
O vento pelas ruas assobiava,
O rio, lá em baixo, sossegado, corria!

As árvores faziam ritmo, de dança
Os ramos soavam como tambores...
O cão, aflito, ainda late e não se cansa!
Serão dele, sozinho, os seus temores...


A outra natureza, vagueia pela mente,
Em imagens recriadas no repouso...
Daqui a poucas horas, serão
As imagens irreais, o seu presente!


O meu corpo recosta à almofada…
Nesta hora de tenra e quieta alvorada
O cão já não se ouve, o vento sossegou…
Aleitou-se ele, no mundo que o renegou?

Deixo-me repousar, que a verdade tem de vir
Só ela aparece, nestas horas, de dormir…



FG

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Lost inside

Nada se afigura mais tenebroso que o acordar da certeza dúbia...
Essa incerteza de que tudo está errado...
Essa dor das vozes ressoantes no sotão, que te dizem palavras que não queres ouvir...

A saudade de algo que não se sabe se foi bom...
Apenas saudade porque era diferente...

Queres dizer ao mundo de ti, mas não sabes como!
Queres soltar gritos, mas não queres que te oiçam!
Queres fugir, para lugar nenhum!

Queres apenas um lugar...
Queres apenas um lugar...
Queres apen a s u m l u g a r...
lugar...

E tudo perde significado no simples conceito...
que não existe!

domingo, 25 de abril de 2010

Cansa ser, sentir dói, pensar destroi!


Cansa ser, sentir dói, pensar destroi.
Alheia a nós, em nós e fora,
Rui a hora, e tudo nela roi.
Inutilmente a alma o chora.
De que serve ? O que é que tem que servir ?
Pálido esboço leve
Do sol de inverno sobre meu leito a sorrir...
Vago sussuro breve.

Das pequenas vozes com que a manhã acorda,
Da fútil promessa do dia,
Morta ao nascer, na 'sperança longínqua e absurda
Em que a alma se fia.


(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sensações

“A vida é para nós o que concebemos dela.
Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império.
Para César cujo império lhe ainda é pouco,
Esse império é um campo.
O pobre possui um império; o grande possui um campo.
Na verdade, não possuímos mais do que as nossas próprias sensações;
Nelas, pois, que não no que elas vêem,
Temos que fundamentar a realidade da nossa vida.”

Fernando Pessoa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Indescritível


Tu pintas de cor a tela cinzenta,
Dessa mistura de preto e branco,
Onde se escondem as amarguras de ninguém!

Tu fazes do teu olhar
o silêncio de alguém...
Onde se ouve apenas o palpitar,
desse som, secreto e brando.

As palavras não existem no teu ser,
São meras abreviaturas para te descrever!
E se perguntarem o porquê de algo assim
A resposta não terá início nem um fim!