sábado, 23 de fevereiro de 2008
Amor silenciado
O que corre nas minhas veias sem se ver…
O que corrói a minha alma, por não o ter…
Tomara eu poder sentir-te, em minhas lembranças…
Essas, que abandonaste ao eco do vazio!
Tomara eu vislumbrar-te sem esperanças…
As que não entendes, com teu sorriso frio!
Pudera eu deixar o afogo da solidão,
E do desejo insano, por satisfazer!
E pudera eu dizer-te o quanto sinto em vão,
Por esse teu jeito incerto, de não querer…
E pudera eu sonhar, sem jamais despertar…
E pudera eu te abraçar, chorar…acabar!
Não quero este amor, na estranheza do silêncio…
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Hoje sonhei de novo...Eram as águas correndo em minha direcção...
Estava só...brincando com o meu corpo...corri em frente, como quem corre sem destino marcado...e disse-te (por via impessoal, das que se usam no nosso século):
- Vem aqui...quero fazer amor contigo!
De repente, em minha direcção, na direcção contrária à qual eu me dirigia, vejo um manto de água tapando o chão à medida que avançava...Corro!Corro como quem foge da morte....temendo que o manto me cubra!Chego ao ponto onde estava antes...(antes de correr)...Páro!...Água, em frente a mim!Um rio enorme, tenebroso, sem que se avistem as areias que por baixo dele habitam...Páro!Fico estática um segundo...e atiro-me às águas...
Sinto o meu corpo a ser levado...Qualquer esforço que faça será em vão...O rio está obstinado em levar-me, para onde quer que seja o seu desejo!Ainda luto uma vez...fazendo resistência, mas ele vence...Tento mais uma vez...vejo uma paragem...posso agarrar-me...tenho de conseguir...Consigo!!Vejo-o correr sem mim...Respiro!
Onde estás tu?Não te vejo...Será que o rio te levou?
De novo com os pés na terra, procuro-te...Olho em frente...não!Olho para trás...não!Olho para a direita...não!Olho para a esquerda...não!Onde estás??
Ao longe, braçando, vejo uma pessoa...e outra mais além...Espero...Serás tu?Agora mais perto, não és!Onde estás??
Sinto os meus pêlos eriçarem-se, sinto os orgãos inferiores tremerem, sinto uma angústia que me faz doer o coração...Onde estás??
Olho para trás de novo...alguém caminha ao longe, em terra firme...Parece o teu vulto...Serás tu?Estás bem?Perante esta expectativa os meus lábios se alogam em forma de lua nova...Sim, és tu!Corres em minha direcção...Chegas!Sinto o teu abraço com força...Sinto-me apertada e protegida...E tu, estás bem!Não te perdi!Tive tanto medo!!
Cansados, estendemo-nos na areia...e dizes-me:
- Ouve isto!
Ouço a tua voz...entoada ao som músical de palavras feitas para mim...de onde vem? Não vem agora de tua boca, aqui sentado ao pé de mim...Vem de onde? Oh, que importa?É a tua voz...E faz-me sentir feliz...
Beijo-te...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Depois…o sono.
O sono apodera-se do meu corpo…
Como tu te apoderaste!
Vorazmente!
Num vazio de repugnância
Cansada!
Busco, na ânsia,
Uma euforia desesperada!
Qual euforia fingida emanava em nós?
Que deixou um pó,
Sujo,
Em tudo que tocamos!
Em todas as horas que não amamos,
Desejando beber o néctar
Do amor divino!
Sinto-me cansada
E com sono!
E passam-me em mente fotografias
De dois corpos unidos,
Tão distantes!
Em suores quentes
E almas frias!
E tudo foi um instante
Inexistente!
No vazio de quatro paredes escuras,
De um branco
Onde a paz não se sente!
E tudo parte,
Sem cair no chão!
Um euro
Vinha um homem magro, de metro e meio
Pela rua, com dois sacos na mão!
Aproximou-se de mim sem receio.
Para pedir um euro de tostão.
Com o olhar vazio ele me implorou,
E com seu único dente me falou:
“Uma sopa era tudo que queria
Para saciar a fome deste dia.”
Um possível trabalho dependia
Da resposta de quem lho prometia,
Mas oportunidades não se dão
Aos que se perderam do batalhão.
Lá vai, enfim, o velho caminhando
Pelas ruelas do porto quebrando.
Consigo mais um euro conquistado!
Consigo mais uma ilusão do Fado!
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Transparência
Sento-me na sanita…
Começo a escrever!
“Mas que ideia tão esquisita…”
- dirão vocês -“…foi ela ter!”
Seria mais bonito à luz do luar!
Seria mais bonito ao pé do mar!
Mas é, aqui, sentada, que quero estar!
Um momento único de liberdade:
Ter como guia a instintiva vontade!
Numa vida de hipocrisia amável,
Onde o “parecer bem” é mais saudável!
Falsos sorrisos, que escondem saudade
E amarguras libertas… em maldade!
Corações presos, em buracos negros
Dos olhos sinceros, por entre as máscaras!
Não! Não tive intenção de me esconder!
Talvez na multidão, ninguém me visse!
Talvez falasse, mas ninguém ouvisse!
Toda a gente é… o que não sabe ser!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Fruto amargo
Oh! Risos… a saltitarem lá fora!
Choro mudo que se prende cá dentro!
Oh, paz! Que saudade! Quanta demora!
Doce porta do céu! Em ti não entro!
Fruto macabro de uma árvore estéril!
Fruto nascido em doce ventre débil!
Efémera paixão

No calor da noite soam gemidos!
Incontroláveis suores molham corpos
Devassos, famintos, loucos, perdidos!
Derramando no chão o vinho dos copos!
Imana no ar incenso de loucura!
Percorre no sangue desejo de prazer!
Acendem luzes de amor sem se ver!
Duas bocas se unem, em terna doçura!
Dois olhos, serenamente, se encerram
No outro fitando-se e mutuamente,
Num cansado sono de anjos se entregam.
O sol nasce, novo dia amanhece!
A cama está vazia, o corpo ausente…
Uma divina noite que se esquece!