quarta-feira, 4 de junho de 2008
Deserto
Para vislumbrar teu formoso rosto!
Meu pecado preso em corpo desnudo
Deixou de ti apenas o teu desgosto!
Reflectida na água turva do rio,
Uma lágrima se junta a estas gotas!
Tremendo, gélida, não sinto frio,
Apenas saudade de nossas bocas!
Olho para o céu…opaco e vazio!
A estrela cadente cai no deserto,
Procurando a paz no caminho certo…
sexta-feira, 28 de março de 2008
Homenagem a quem sofre de anorexia...
Bebi um copo de leite de manhã e passei o dia de um lado para o outro...Nada mais comi!
Ao fim do dia, deitei-me, não jantei...Sentia fome, mas não comi!
Fiquei acordada até às 22hOO e, cansada, decidi dormir...Estava com sono...e pensei:
- Não comer, deve cansar mais o organismo, vou dormir bem...
Pois, enganei-me!Desenganem-se!
Ia dormir...mas acordaram-me...!Entretanto, senti mais fome!
Uma dor no estômago, os barulhos estranhos dele, a pedir por comida, e o meu cérebro fulminando com imagens de comida...!
Um horror!Mas resisti!
Fui então dormir, agora sim!
2h da manhã : acordo! Reviro-me na cama...dor no estômago!Fome!
3h da manhã : acordo! Estava eu a sonhar com pizza!
4h da manhã : de novo? Então não era para dormir melhor?
6h da manhã : Dores!Fome!Pensamentos sobre comida! Não aguento! Levanto-me, meia tonta! - "Tenho de comer"
Desci as escadas, agarrando-me ao corrimão com medo de cair...
Estava a preparar o pequeno almoço, quando me deu uma fraqueza, enjoo e tontura...
Fui deitar -me no sofá! Pensei: "Será que consigo preparar o meu próprio pequeno almoço?"
Esperei...
Quando me senti melhor, voltei a levantar-me!
Foi difícil, estava fraca, mas consegui...
Pouco comi, fiquei satisfeita e ainda estava enjoada!Mas, já não sentia fome!E assim fui dormir...
..................Este foi só o primeiro dia...
O dia de uma anoréctica:
Fome!
Dores de estômago!
Pensamentos recorrentes sobre comida!
Tentativas furtivas de resistir a comer!
Fraqueza!
Enjoo!
Noites atribuladas, noites mal dormidas!
E mais...
Tristeza!
Cansaço!
Ansiedade!
Irritação!
...
........Anorexia não é uma mania!!...
Mania = do Lat. mania < Gr. manía, loucura
s. f.,
espécie de perturbação ou excitação caracterizada por aferro a uma ideia fixa;
fig.,
mau costume;
excentricidade;
esquisitice;
extravagância;
desejo imoderado, excessivo.
............Será???.....................
"Loucura"? - Não somos todos loucos?
"aferro a uma ideia fixa"?
- Obsessão?? As obsessões provocam desconforto psicológico...
A magreza traz-lhes poder, satisfação, valor!
Quem suporta tanto sofrimento por uma "excentricidade", "esquisitice", "extravagância"???
"Desejo imoderado, excessivo"?? Talvez...dependendo da perspectiva!
Para mim, nenhum desejo de valor pessoal é imoderado!
Todos procuram ter valor...
Os seus caminhos é que podem ser mais difíceis e tortuosos...
........Para quem acha que a anorexia é uma mania...
......... Experimente! Não coma!.......
domingo, 23 de março de 2008
Trilho da viagem
Que vejo os sorrisos tristes no banco...
E ao verde das árvores eu sorrio,
Vendo-as dançando, alegres, com o vento.
Lá fora, o sol cai, batendo no rio...
E o vermelho das rosas é cinzento!
A melodia chora aos meus ouvidos!
Ela leva os meus órgãos dos sentidos,
Para onde eu não sei ficar... e sentir...
E o meu sorriso pára de sorrir!
Traduz-se no espelho o brilho do olhar,
Trazido pelas lembranças de amar...
Pára o comboio, chegado ao destino!
Param os pensamentos do sem fim...
Seguem os passos para a rua, enfim!
sábado, 22 de março de 2008
Falso luto
Quem notaria a ausência, agora ausente?
Quem sofreria a perda de uma não presença, constante?...
Ninguém...No espectro das minhas memórias, mais recentes!
Os dias seriam iguais a todos os outros...as manhãs trariam sol, como em todos os dias...as noites chegariam depois de cada dia, com a lua imersa no céu distante!
E nada mudaria...
Apenas uma dor, obrigada pelas leis da moral universal, se imporia!
Essa dor fingida, de quem pensa que é verdade!
Mas os dias continuam iguais...a ausência continua lá, como sempre esteve!
...E ninguém notou...
domingo, 9 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Amor silenciado
O que corre nas minhas veias sem se ver…
O que corrói a minha alma, por não o ter…
Tomara eu poder sentir-te, em minhas lembranças…
Essas, que abandonaste ao eco do vazio!
Tomara eu vislumbrar-te sem esperanças…
As que não entendes, com teu sorriso frio!
Pudera eu deixar o afogo da solidão,
E do desejo insano, por satisfazer!
E pudera eu dizer-te o quanto sinto em vão,
Por esse teu jeito incerto, de não querer…
E pudera eu sonhar, sem jamais despertar…
E pudera eu te abraçar, chorar…acabar!
Não quero este amor, na estranheza do silêncio…
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Hoje sonhei de novo...Eram as águas correndo em minha direcção...
Estava só...brincando com o meu corpo...corri em frente, como quem corre sem destino marcado...e disse-te (por via impessoal, das que se usam no nosso século):
- Vem aqui...quero fazer amor contigo!
De repente, em minha direcção, na direcção contrária à qual eu me dirigia, vejo um manto de água tapando o chão à medida que avançava...Corro!Corro como quem foge da morte....temendo que o manto me cubra!Chego ao ponto onde estava antes...(antes de correr)...Páro!...Água, em frente a mim!Um rio enorme, tenebroso, sem que se avistem as areias que por baixo dele habitam...Páro!Fico estática um segundo...e atiro-me às águas...
Sinto o meu corpo a ser levado...Qualquer esforço que faça será em vão...O rio está obstinado em levar-me, para onde quer que seja o seu desejo!Ainda luto uma vez...fazendo resistência, mas ele vence...Tento mais uma vez...vejo uma paragem...posso agarrar-me...tenho de conseguir...Consigo!!Vejo-o correr sem mim...Respiro!
Onde estás tu?Não te vejo...Será que o rio te levou?
De novo com os pés na terra, procuro-te...Olho em frente...não!Olho para trás...não!Olho para a direita...não!Olho para a esquerda...não!Onde estás??
Ao longe, braçando, vejo uma pessoa...e outra mais além...Espero...Serás tu?Agora mais perto, não és!Onde estás??
Sinto os meus pêlos eriçarem-se, sinto os orgãos inferiores tremerem, sinto uma angústia que me faz doer o coração...Onde estás??
Olho para trás de novo...alguém caminha ao longe, em terra firme...Parece o teu vulto...Serás tu?Estás bem?Perante esta expectativa os meus lábios se alogam em forma de lua nova...Sim, és tu!Corres em minha direcção...Chegas!Sinto o teu abraço com força...Sinto-me apertada e protegida...E tu, estás bem!Não te perdi!Tive tanto medo!!
Cansados, estendemo-nos na areia...e dizes-me:
- Ouve isto!
Ouço a tua voz...entoada ao som músical de palavras feitas para mim...de onde vem? Não vem agora de tua boca, aqui sentado ao pé de mim...Vem de onde? Oh, que importa?É a tua voz...E faz-me sentir feliz...
Beijo-te...
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Depois…o sono.
O sono apodera-se do meu corpo…
Como tu te apoderaste!
Vorazmente!
Num vazio de repugnância
Cansada!
Busco, na ânsia,
Uma euforia desesperada!
Qual euforia fingida emanava em nós?
Que deixou um pó,
Sujo,
Em tudo que tocamos!
Em todas as horas que não amamos,
Desejando beber o néctar
Do amor divino!
Sinto-me cansada
E com sono!
E passam-me em mente fotografias
De dois corpos unidos,
Tão distantes!
Em suores quentes
E almas frias!
E tudo foi um instante
Inexistente!
No vazio de quatro paredes escuras,
De um branco
Onde a paz não se sente!
E tudo parte,
Sem cair no chão!
Um euro
Vinha um homem magro, de metro e meio
Pela rua, com dois sacos na mão!
Aproximou-se de mim sem receio.
Para pedir um euro de tostão.
Com o olhar vazio ele me implorou,
E com seu único dente me falou:
“Uma sopa era tudo que queria
Para saciar a fome deste dia.”
Um possível trabalho dependia
Da resposta de quem lho prometia,
Mas oportunidades não se dão
Aos que se perderam do batalhão.
Lá vai, enfim, o velho caminhando
Pelas ruelas do porto quebrando.
Consigo mais um euro conquistado!
Consigo mais uma ilusão do Fado!
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Transparência
Sento-me na sanita…
Começo a escrever!
“Mas que ideia tão esquisita…”
- dirão vocês -“…foi ela ter!”
Seria mais bonito à luz do luar!
Seria mais bonito ao pé do mar!
Mas é, aqui, sentada, que quero estar!
Um momento único de liberdade:
Ter como guia a instintiva vontade!
Numa vida de hipocrisia amável,
Onde o “parecer bem” é mais saudável!
Falsos sorrisos, que escondem saudade
E amarguras libertas… em maldade!
Corações presos, em buracos negros
Dos olhos sinceros, por entre as máscaras!
Não! Não tive intenção de me esconder!
Talvez na multidão, ninguém me visse!
Talvez falasse, mas ninguém ouvisse!
Toda a gente é… o que não sabe ser!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Fruto amargo
Oh! Risos… a saltitarem lá fora!
Choro mudo que se prende cá dentro!
Oh, paz! Que saudade! Quanta demora!
Doce porta do céu! Em ti não entro!
Fruto macabro de uma árvore estéril!
Fruto nascido em doce ventre débil!
Efémera paixão

No calor da noite soam gemidos!
Incontroláveis suores molham corpos
Devassos, famintos, loucos, perdidos!
Derramando no chão o vinho dos copos!
Imana no ar incenso de loucura!
Percorre no sangue desejo de prazer!
Acendem luzes de amor sem se ver!
Duas bocas se unem, em terna doçura!
Dois olhos, serenamente, se encerram
No outro fitando-se e mutuamente,
Num cansado sono de anjos se entregam.
O sol nasce, novo dia amanhece!
A cama está vazia, o corpo ausente…
Uma divina noite que se esquece!
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
FRANCESCO PETRARCA Italia, Arezzo(1304-1374)
SONETO CXXXII
Si no es amor, ¿qué esto que yo siento?
mas si no es amor, por Dios, ¿qué cosa y cual?
Si es buena, ¿por qué es áspera y mortal?
si mala, ¿por qué es dulce su tormento?
Si ardo por gusto, ¿por qué me lamento?
Si a mi pesar, ¿qué vale un llanto tal?
Oh, viva muerte, oh deleitoso mal,
¿por qué puedes en mí si no consiento?
Y si consiento, error es quejarme.
Entre contrarios vientos va mi nave
-que en alta mar me encuentro sin gobierno-
tan leve de saber, de error tan grave,
que no sé lo que quiero aconsejarme
y, si tiemblo en verano, ardo en invierno.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
critica ao filme girl, interrupted (rapariga interrompida)

A perturbação borderline de que é exemplificativa a personagem Susana está mal retratada, sendo de salientar mais, relativamente a esta personagem, o choque cultural que os seus comportamentos não convencionais, provocam naquela época, daí ela ser tida como louca e internada num hospital psiquiatrico.
Já Lisa revela-se uma personagem intrigante que reune condições para uma perturbação de personalidade narcisica e anti-social, muito pouco comum em mulheres, mas muito bem representada em estilo feminino.O filme refere que lhe foi diagnosticado sociopatia. Este termo, hoje em desuso, devido à conotação social que lhe era atribuída, remete-nos para o que designamos perturbação anti-social da personalidade. A titulo de curiosidade, uma análise mais profunda de Lisa, leva-nos a inferir o modelo parental a que foi sujeita na infancia: Lisa no final do filme, diz: “Há muitos limites a implorar serem excedidos (…) E faz-me pensar... Faz-me pensar. Por que ninguém excede os meus? Por que sou tão negligenciada? Por que é que ninguém tenta arrancar de mim a verdade e me diz que sou uma maldita pega e que os meus pais desejavam que eu estivesse morta?” Isto demonstra um sentimento de privação emocional por parte de Lisa, que refere sentir-se negligenciada e que os pais desejavam que “estivesse morta”, o que nos permite conjecturar a existência de pais pouco empáticos, pouco protectores, pouco afectuosos…A família de origem poderá ter sido emocionalmente distante, fria, rejeitante, imprevisível ou abusadora, criando a expectativa de que os outros não lhe proporcionaram um grau normal de suporte emocional. Lisa adopta um estilo cognitivo e comportamental oposto ao que seria de esperar, adoptando comportamentos narcisicos e anti-sociais, numa tentativa de compensação da sua privação emocional. Ao mesmo tempo, pode ser posta a hipótese da família de origem ter sido permissiva, sobre-indulgente, não impondo limites, caracterizando-se por falta de orientação, direcção e supervisão adequada. Enquanto criança, Lisa pode não ter sido levada a tolerar níveis de frustração ou desconforto normais. Embora parecendo, isto não é uma análise linear, nem tão pouco superficial, levou horas de análise dos seus comportamentos e frases, ditas ao longo do filme, através de uma base teórica e amplamente investigada por profissionais de saúde. Muito mais poderia ser dito acerca desta personagem e da sua componente psicológica e muito há para explicar acerca das inferencias aqui retratadas, mas não querendo ser enfadonha, convido a verem o filme com olhar atento e critico e, caso estejam interessados em saber mais sobre o conteudo psicológico, façam as questões no blog que terei todo o gosto em responder. Demais acrescento que adorei fazer esta análise e agradeço ás minhas colegas que me ajudaram - Juliana e Rita, amigas do coração, das horas más e dos trabalhos e, ao meu professor da cadeira de Terapias cognitivo-comportamentais nas Perturbações de Personalidade - Mestre Daniel Rijo.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Esperando o vazio
Sonho e espero, sempre demais, do nada!
E espero…Vou esperando…esperando…
E percebo! Ou quem sabe, vou tentando…
Até à hora que fico cansada!
E continuo percebendo…do nada!
Mas chega de espera! Cansei, cansada!
Cada entidade segue seu caminho,
Em direcção ao seu lugar marcado,
Onde o coração é depositado!
Tudo o que resta é, apenas, carinho,
Que não dá, embora doce, o conforto
A quem dá mais amor…e o deixa morto!
Qual dor?
De não poder ter o caminho eleito?
Qual dor?
O vazio não causa dor…é perfeito!
Escrever poesia
Gato
Os sonhos nascem, sem pedir permissão
Nas mãos de um homem qualquer…
Onde se instala a prisão
De um novo renascer…
Livre sem querer…
E procuro-te a ti…
Ao anoitecer!
E tu não estás…
E continuas a querer!
Procuro-te…ao anoitecer!
Lua sem luz, reflecte algo
Misterioso ao teu olhar…
Gato malvado a passear
Na beira de um muro,
A espreitar!
Palavras flutuam…
Perdidas em ondas do mar…
Como desejo te encontrar!
Gato perdido…
Luar escondido…
Mar distante…
A tua voz…hesitante…
Almas vendidas
Nada morre no passado…presente!
Não é pó, o cair da estrela cadente…
Tudo é brilho, de luz que ninguém vê!
Porque só os deuses, belos, a sentem…
Na névoa, do ser, de cada um, que crê,
No poder das suas almas que vendem!
Eu vendi minha alma…Mas onde? Quando?
Não me lembro! Nem tão pouco sei a quem!
Sei que na hora, ele virá, a meu mando!
Porque me pertence! E sabe-o, tão bem!
Esse que sua alma vendeu…Inocente!
No autocarro
Uma mulher sentada…desdentada!
Sua perna ela coçava…desenfreada,
Em frente a mim…frenética! Coitada!
Parecia fugir…doente, drogada!
Seus fios de cabelo oleoso…pranto
Daquele banho que ficou esquecido…
Traz ao colo um saco…com cuecas, branco!
Segurando-o nas mãos…negras e sujas!
Falava comigo…mas não me via!
E eu não ouvia o que ela me dizia!
Na verdade, ela sozinha falava
E olhava…olhava…mas nada notava…
Quimera proibida
Doce, quente, desejo me assombra a mente!
Perigosas pulsões de sangue ardente,
Percorrem, sedentas, corpo sem dono!
Sôfrega ilusão de tão doce noite!
Louca quimera! Minha perdição!
Razão que não vê efémera paixão!